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Quinta à noite

"Mereces todas as coisas boas que a vida tem guardado apra ti!" - Para lembrar

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Mães e mães

Ontem li um artigo.

Não acabei de ler  (por isso peço, desde já desculpa, se serei injusta). Fiquei irritada logo ao fim do primeiro parágrafo e parei a meio, pois já estava demasiado nervosa.

O artigo falava sobre optar por ter uma carreira ou ser mãe a tempo inteiro. 

Começava por pedir desculpa a todas as mães que não podem dar -se ao luxo de pensar sequer na hipótese de ficar em casa com os filhos.

Quando foi que me saltou a tampa? Quando a sra que escrevia disse que trabalhava para pagar: a creche do filho, o transporte para o trabalho, a roupa cara  (pois tinha de estar apresentável) os almoços e jantares com os colegas, a empregada doméstica... E afirmava que era muito complicado ver o fim dos 5 a 6 meses de licença de maternidade aproximar-se e ter de deixar o filho na creche.

Bem, vejamos: 

Eu sou uma mãe cheia de sorte, não tenho de deixar o meu filho na creche, pois minha mãe fica com ele e é óptimo!

Mas não a minha sorte  (e doutras mulheres ),não fica por aqui: eu não preciso de trabalhar para pagar a creche, nem comprar roupa cara, ir uma vez por semana ao cabeleireiro, usar montes de maquilhagem; nao tenho despesas com empregada doméstica; não deprimi quando se aproximou o fim do quinto ou sexto mês de licença de maternidade. 

Já viram a minha sorte? 

Pois é: eu deixei o meu filho com a minha mãe aos 3 meses para ir trabalhar; o que eu ganho não chega para comprar roupa cara, o que me obriga a aprender a ficar apresentável com roupa barata (eu e toda a família, mas não se nota a diferença). Ao fim de 8, 9, ou 10 horas de trabalho chego a casa e limpo, cozinho, arrumo e lavo. Aprendi a pintar o cabelo em casa, a fazer a manicura e outras coisas de "beleza". Não tenho convívios com as colegas de trabalho e não me aventuro para além de um café /lanche com as amigas... 

No fundo, não ponho a hipótese de ficar em casa com o meu filho. Mas o pior não é isso, o pior é que uma larga maioria das mulheres não põe essa hipótese. Não pode por.

Directamente para a sra que escreveu aquele texto:fico contente por poder escolher entre trabalho e mais tempo com os filhos e confesso que se pudesse escolher estava sempre com o meu filho, mas lembre-se que se calhar a sua empregada doméstica é das pessoas que deixam os filhos na creche ou escola umas 12 horas, que saiem de casa antes deles acordarem e quando regressam tem de partilhar o tempo entre os filhos e as lides domésticas... E nem por isso amam menos os filhos.

(se me permite contar um segredo: precisa mais ela do trabalho do que a sra de empregada doméstica)

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